Entrevista: Jay Weinberg para a Music Radar

April 18, 2016 in Banda, Entrevista, Jay Weinberg by Natália

© Future/Joby Sessions

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O Slipknot é, para muitos, uma combinação confusa entre música agressiva e teatro de horrores. Mas um garoto de 10 anos que assistia a tudo aquilo com o pai, viu o futuro. Não apenas o futuro do metal, mas o seu.

Algumas semanas antes, o Slipknot havia invadido as casas americanas através de programas populares, como o” The Late Show com Conan O’Brien”. Max Weinberg, baterista da banda de Bruce Springsteen e líder da banda do The Late Show, “Max Weinberg 7”, voltou para casa naquela noite para contar tudo o que tinha presenciado para sua família, incluindo seu filho de 10 anos, Jay.

“Meu pai chegou em casa e disse, “Tem uma banda que você não vai acreditar, você precisa ver. Eles vão sair em turnê em breve e a gente precisa ir!”, eles nos convidaram e nossa família inteira foi para o Ozzfest (2001) e eu fiquei impressionado. Era algo que eu nunca havia visto antes e imediatamente me tornei um fã”.

Ver o Slipknot no Ozzfest acendeu uma paixão pela banda em Jay, que ia à todos os shows que a banda fazia próximo a sua casa, em New Jersey. E graças a seu pai, Jay se tornou próximo a banda.

“Eles faziam muitas turnês durante o ano, então cada vez que eles me viam eu estava um pouco mais alto, um pouco mais velho, ou usando uma camisa de uma banda mais legal e eles me viram aprender sobre aquilo que nos conecta, que é a música que tanto amamos.”

O jovem Jay cresceu enquanto a banda alcançava o sucesso e aprendeu a tocar bateria na sombra de seu herói, Joey Jordison. Criado sob o legado musical de seu pai com Springsteen, mas com um amor por gêneros mais agressivos, Jay criou um nome para si na banda “Against Me”, antes de ser chamado pessoalmente para fazer um teste no Slipknot, após a saída de Joey.

“Quando eu recebi a ligação, estava terminando as provas do meu último semestre na faculdade e eu recebi uma mensagem do empresario do Slipknot, que por coincidência também trabalhava com o Against Me!. Ele disse ‘Você consegue chegar em Los Angeles em três dias? Não posso te falar o motivo, mas você consegue?’ Eu fui e não sabia onde estava me metendo. Cheguei lá, encontrei os caras no estúdio e tudo começou ali.”

© Future/Joby Sessions

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E o que aconteceu naquele primeiro teste?

“Era uma situação pesada, o clima na sala era palpável com tudo o que a banda estava passando, tendo que seguir em frente sem um irmão que esteve com eles por mais de 20 anos. Eu queria tratar aquela situação com cuidado e respeito.

Sendo um fã da banda, um apreciador de música e de tudo o que eles haviam trazido para a minha vida, sabe, eles me trouxeram muita alegria, eu queria chutar a porta com aquela atitude do Slipknot que eles queriam, mas também queria ter respeito pelo que eles estavam passando, porque era pesado.

Eu não sabia, ninguém sabia o que a banda estava passando, era segredo, então eu fui o primeiro a saber que eles continuariam sem Joey. Então quando essa parte passou, eles falaram, ‘Ei, você é como família para nós, acompanha a banda há 15 anos, nós o amamos e nunca o vimos tocar, estamos curiosos.’

Clown me perguntou se eu sabia alguma música do Slipknot e eu disse ‘Claro, por que não começar com essas?’ e toquei ‘Before I Forget’ e ‘Duality’, foram as primeiras músicas que tocamos juntos e quando isso aconteceu todo o clima da sala começou a mudar e eles falaram ‘P*** isso foi incrível, você sabe mais alguma?’

Então nós tocamos ‘Disasterpiece’ e passamos a escolher músicas e B-sides do primeiro álbum, tocamos ‘Get This’ e nessa hora ficou claro para onde aquilo estava indo. E a experiência naquela sala, naquele dia foi única, ir até lá sem saber o que esperavam de mim para no fim do dia ter tocado 20 músicas do Slipknot com a grande maioria dos caras lá foi incrível.

Então começamos a conversar, ‘Você quer ficar por aqui e trabalhar em umas coisas? Vamos ver algumas músicas novas, o Jim tem material, nós temos uns riffs que estamos trabalhando, quer tocar com a gente?’ E literalmente um dia após meu teste com o Slipknot, nós começamos a trabalhar no novo álbum.”

No passar dos anos você acabou conhecendo a banda muito bem, isso te deixou mais confortável?

“Eu ia em shows regularmente entre 2001 e 2012, que foi a última vez que eu vi os caras antes do teste. Eu conversei rápido com eles, elogiando a performance e isso evoluiu em uma amizade.

Eu criei uma amizade com Clown nesses anos, e costumava conversar muito com Paul sobre hockey antes de seu falecimento, nós dois éramos muito fãs de hockey e falávamos sobre isso por horas. Eu falava com Jim com Corey e ficava com eles depois dos shows e tudo isso significava muito para mim porque eles eram meus heróis.

Mesmo quando eu tinha 13 ou 14 anos, eu via que esses caras eram como eu e que nós tínhamos essa paixão pela música e eles ficavam comigo e um amigo após o show por um bom tempo, apenas conversando.

Eu acho que ter essa liberdade e essa amizade é uma peça muito importante em tudo isso, mas isso evoluir de uma amizade para um lugar na banda é um pulo muito grande, então foi um grande momento quando começamos a tocar juntos. Mas a partir da primeira música nós já sabíamos que ia dar certo.”

Suas bandas anteriores não tinham nada a ver com Slipknot, mas você sabia o que fazer por tocar em casa como um fã.

“Quando eu comecei a tocar, aos 14 anos, meus heróis eram pessoas como Chris Adler, Brann Dailor e Joey. Ouvir esses caras e digerir e estudar o que eles estavam fazendo, eu ia até o espaço na casa dos meus pais onde ficava a bateria, colocava os fones de ouvido e tentava me aquecer no frio de New Jersey em fevereiro tocando músicas agressivas.

Eu comecei tentando tocar o álbum ao vivo do Ramones, fui para o Master os Puppets e depois de sair disso, toquei o material do “Iowa” e do “Ashes Of The Wake” do Lamb of God e “Leviathan” do Mastodon, apenas para ver se eu conseguia.

No meu teste com o Slipknot, muitas dessas músicas eu não tocava desde os 14 anos, então foi tudo de memória.”

Em que momento você foi convidado a integrar a banda?

“Um dia após meu teste nós começamos a trabalhar no que viria a ser o The Gray Chapter. Reservamos um tempo no estúdio do Travis Barker na Califórnia e foi quando eles me disseram, ‘É claro que você sabe tocar as coisas antigas, como você vai ficar quando a gente precisar compor material novo?’

A bateria é uma parte tão grande da identidade e do som do Slipknot, é algo com tantas influências porque o Slipknot cobre uns 20 estilos diferentes em certos pontos, mas é algo muito único. Acho que ser um fã da banda por 15 anos realmente me ajudou a descobrir o que o Slipknot precisava para esse álbum sair. Então as sessões no estúdio do Travis foram sobre isso, se eu poderia trazer o que eles precisavam.

Depois de dois dias fazendo isso, Clown me disse, ‘Se você quiser tocar no Slipknot, o lugar é seu. Trabalhe muito e nos mostre que você quer isso… não vai ser fácil, mas nós vemos paixão em seus olhos, nós vemos o amor que você tem pela música, então o lugar é seu se você quiser.’

Isso foi em dezembro de 2013 e eu fui para a casa passar o feriado e depois voltei para Los Angeles. Primeiro eu fui até Des Moines passar um tempo com Clown, visitei o túmulo de Paul, o que significou muito para mim, começar essa jornada prestando uma homenagem a um dos pilares da banda. Então fomos direto para Los Angeles e não saímos durante seis ou sete meses.”

© Future/Joby Sessions

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Fale um pouco sobre essas sessões no estúdio que viriam a ser o The Gray Chapter.

“Eu não consigo descrever como o processo de criar esse álbum foi intenso. Nos primeiros dois meses eram apenas Jim, Clown, eu e nosso coprodutor, Greg Fidelman em um estúdio chamando Sound Factory em Hollywood e nós ficávamos lá seis dias por semana, durante 12 ou três horas por dia apenas trabalhando em pré produção e melodias.

Jim tinha a parte bruta do álbum praticamente escrita naquele ponto, mas estávamos trabalhando em cima dos riffs, em como Corey abordaria os vocais e estávamos trabalhando em 20 músicas diferentes ao mesmo tempo, era caótico.

Às vezes eu estava lá tocando bateria e e tinha alguma ideia maluca e eles me davam o ok para seguir em frente, nós colocávamos aquilo com algumas demos do que viria a ser as versões finais e era uma experiência louca, divertida e estressante.

Ali estavam os caras que eu admirei a vida toda, artistas e músicos, e nós estávamos compondo juntos, algumas coisas sendo feitas do zero e foi surreal durante alguns meses, eu me beliscava todos os dias, não acreditava que aquilo estava acontecendo.

Quanto mais sérias as coisas ficavam, mais o pessoal da banda se abria e gravar o álbum foi cansativo. A gente ia música por música procurando o que o Clown chamava de ‘o sexo’ em cada uma. Quando você toca a mesma músicas 10 vezes seguidas e eu não consigo pensar direito porque estou quase sem energia então eu toco mais 10 vezes e mais e mais e mais, é ali que você via a insanidade que esse álbum precisava e eu acho que isso reflete no álbum. Foi um processo exaustivo e metódico, Clown e Chris ficavam na sala comigo e eles agiam como se estivessem no palco, porque a vibe do lugar era essa.

Tem muita emoção porque é, tematicamente, um álbum muito pesada para banda, por ser o primeiro sem Paul e Joey então é uma grande responsabilidade para a banda e para mim. Então nós andávamos com cuidado nesse processo, mas avançamos e esse álbum saiu tão incrível quando pensávamos. Foi um aprendizado enorme para mim, mas conseguimos fazer algo incrível.”

Como você equilibrou o sentimento de manter o respeito ao Joey e ao mesmo tempo ter liberdade de criar algo seu?

“Eu tenho um respeito enorme pela banda e por Joey, como músico e como pessoa, então entendi bem meu papel em trazer para a banda algo que eles precisavam. Eu entendi o que Joey havia trazido para a mesa e quis continuar o legado de uma forma que os Maggots respeitassem e todos nós estamos orgulhosos.

Claro que a história da banda pesa, mas quando precisei criar coisas novas eu não pensei em Joey em nenhum momento. E acho que seria falta de respeito pensar, a banda queria que eu fosse fiel à mim e porque eu iria querer imitar Joey ou o que ele fez? Joey é um dos melhores bateristas que eu já tive o privilégio de ver, então como um fã da banda e alguém que respeita as pessoas e a música, eu não quis chegar e copiar ninguém. Isso não seria interessante para mim, para a banda e seria um insulto a todos, incluindo os fãs.”

© Future/Joby Sessions

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Para as primeiras sessões, seu conjunto refletia o que o Joey tocava?

Eu não levei nada disso em conta quando nós começamos a trabalhar no novo material do Slipknot. A energia da música que estávamos fazendo juntos era tão forte, eu sabia exatamente qual equipamento eu precisava para apresentar as partes que eu estava criando e gravando durante essas sessões. Dois bumbos grandes. Caixas de latão. Chimbais que se sobressaíssem através de outras oito camadas de instrumentos e vocais. Tons crescentes. Definitivamente, nenhum gatilho ou sample de substituição de som, nada disso. Meu conjunto é relativamente utilitário, nele está apenas o necessário para o que eu quero realizar, musicalmente. Nada supérfluo; essas coisas só atrapalham”.

Você teve que fazer qualquer alteração no seu conjunto para se adaptar ao show, você adicionou qualquer coisa para se adequar aos shows?

Pelo contrário, na verdade eu removi algumas coisas desde que eu comecei a tocar ao vivo. Dificilmente eu batia num prato de ataque que eu instalei do meu lado esquerdo, então eu me livrei dele. Eu toquei meu gongo poucas vezes, então me livrei dele. Eu quero executar essa música e as rimas na minha cabeça com uma paleta de sons relativamente aperfeiçoados. Eu acho que parte da mentalidade e filosofia do Slipknot é fazer o trabalho mais difícil ao invés de mais fácil; apenas se soltar dentro do poder da arte e da música. As máscaras, os macacões e o fogo são prova disso. Então eu gosto de tirar as coisas e restringir o que eu tenho para trabalhar com o mínimo. Ainda há uma tonelada de tambores e chimbais, mas é só disso que eu preciso”.

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Você usa dois bumbos com pedais únicos ao invés de um único bumbo e um pedal duplo. Por que você prefere assim?

Eu gosto de ter dois pedais únicos para dois bumbos diferentes porque imitam dois pés diferentes, meus pés são apêndices separados, então eu gosto que eles soem assim, eu nunca me senti confortável com um pedal duplo – dois bumbos separados, dois pedais únicos separados. Toda essa competição para conseguir que seu bumbo soe exatamente da mesma maneira, substituição de som, usar gatilhos. Que se foda tudo isso, cara, é tudo sobre o tom natural e o que você pode fazer – estilo homem das cavernas! Um tambor, uma coisa, simples!”

Como tem sido a reação dos Maggots (os fãs da banda)?

Eu acho que tem sido boa. Conhecer a molecada em todo lugar; é muito legal para mim compartilhar a experiência de amar essa banda e eu vejo como eles amam isso e eu acho que eles veem que somos um e o mesmo, os Maggots e eu somos um e os mesmos. Essa banda é a primeira banda que me convenceu do poder e da magia da música, não só do metal, mas da música em geral – essa foi a banda que me convenceu de que isso é a que minha vida deveria ser dedicada, a música e arte. E ver a paixão dos fãs pela música, eu vejo a mim mesmo neles; eles veem eles mesmos em mim e acontece que eu sou aquele que há 10 anos atrás estava nas barreiras gritando em plenos pulmões, tendo minhas costelas esmagadas contra as barreiras e agora eu sou aquele que passou das barreiras para o palco. Muitas pessoas me dizem: ‘isso me faz querer seguir meus sonhos porque eles estão ao meu alcance – olhe para você, você conseguiu isso, você chegou aos palcos’. E você pode definir seus objetivos para qualquer coisa que você quer realizar – é difícil e você tem que sacrificar muito, mas com todo o trabalho duro e sacrifício vêm uma grande recompensa. E eu vejo que tocar com o Slipknot é uma grande recompensa. Então, o único retorno que eu tenho é quando eu encontro as pessoas e eu vejo o amor por essa música nos olhos delas, pelas pessoas da banda, e isso me faz sentir muito incluído e é um sentimento muito acolhedor. É um vínculo bem legal que eu tenho com os fãs. Eu amo os fãs, eu sou um deles”.

O quanto você contribuiu com a máscara?

O Clown chegou com esse tipo geral de máscara Maggot para o Alex [Alessandro Venturella, baixo] e para mim. E é legal porque com o tempo eu pintei a minha, tirei a estopa tentando evoluir. Sinceramente, ela está começando a desmanchar! Por causa de todo o suor, toda a falta de noção, do cuspe, do vômito, do sangue que fica nessa coisa. É simplesmente nojento. Meus pais vêm para o show e eu quero que eles cheirem, mas eles não cheiram! Estamos na estrada juntos já faz mais de um ano, já cheguei ao ponto de querer deixar minha personalidade nesta tela em branco da máscara. É muito inexpressiva, muito plana, e de certa forma é muito crua. Então conforme eu fui me tornando mais enraizado na cultura do Slipknot, eu comecei a realmente me conectar com os fãs… Originalmente nós nem íamos conhecer os fãs. Nós temos os ‘meet and greets’ todos os dias na turnê e nós nem estávamos saindo para fazer isso originalmente porque nós éramos os caras secretos. Agora eu participo todos os dias e eu estou mais do que feliz para fazer isso porque eu amo me conectar com as pessoas que eu compartilho desse vínculo de música, então conforme eu comecei a perder camadas, essas camadas protetivas do que quer que fosse, elas começaram a desmanchar e minha personalidade está começando a aparecer cada vez mais na minha apresentação. Estarmos conversando é um exemplo perfeito dessas camadas que estão se quebrando, porque há um ano atrás nós não estaríamos conversando assim. Então, conforme o tempo passa, a arte é uma grande parte da minha vida, então eu estou começando a pintar minha máscara e personalizá-la um pouco mais, deixar um pouco mais de mim transparecer, e eu sinto que é um progresso natural, uma evolução natural nesse ciclo de turnê, já que a turnê pesa em nós, pesa em todos. É o melhor tipo de trabalho, mas é um trabalho pesado e então você começa a se conectar com quem você é, e quem você é em relação a esse circo viajante do qual você faz parte, todas essas pessoas ao seu redor. Então, sim, é uma parte crucial do nosso show ao vivo, eu ou apresentar um pouco mais de mim a partir de agora”.

© Daniel DeSlover/ZUMA Press/Corbis

© Daniel DeSlover/ZUMA Press/Corbis

O quanto fica quente por trás da máscara?

Quente pra caralho! Felizmente nessa próxima turnê nos livraremos do fogo, o que, em alguns pontos no nosso set, força seus limites fisicamente como um humano. Tem o macacão, a máscara, a música que já é desafiadora para tocar, tem o fogo, tem as luzes estroboscópicas – é o sensor humano completamente sobrecarregado! O que é, parcialmente, eu acho, o que é essa banda. Eu me certifico que ao final de cada show, na última música, eu quero me certificar de que eu não poderia dar mais uma batida depois daquele show! Toda noite eu quero ser completamente drenado. Eu gosto da natureza atlética de tocar bateria, mais especificamente tocar bateria para o Slipknot, é como uma competição comigo mesmo. Eu gosto de me esforçar e ficar tipo ‘você consegue mais que isso!’ Nossa turnê que fizemos com o Lamb of God, nós estávamos tocando no final de Agosto em Las Vegas, que já é brutalmente quente no deserto, nós éramos a última banda a tocar, estávamos esperando por lá o dia todo num estacionamento fervente, então o asfalto estava assando no sol, então você tem que levantar e tocar em todo esse fogo e é tão insanamente quente pra caralho! Tem vezes que eu me solto e me esqueço completamente que estou tocando num show. É tipo uma ‘amnésia do motorista’, em que você esquece o caminho de casa. Tudo o que você sabe é que você saiu do trabalho e chegou em casa, mas você não sabe o que aconteceu entre isso. Durante um dos shows o Alex até mesmo desmaiou devido à extrema exaustão e desidratação, e tivemos que tocar um show inteiro sem ele. É super assustador, mas é uma coisa real com o qual temos que nos atentar. Meu dia inteiro é focado naquelas duas horas que eu tenho que tocar. E eu fico me aquecendo no backstage por duas horas e meia antes de entrarmos no palco. Como eu quero subir lá já aquecido, eu quero provar sangue antes mesmo de chegar lá, então eu toco o dia todo, eu como o melhor que eu puder. Eu já levo um estilo de vida saudável, eu não bebo álcool, eu não uso nenhum tipo de droga, tudo o que eu faço é tocar e viver a melhor vida que eu posso. Mas, cara, mesmo quando você está cuidando muito bem de você, o show do Slipknot vai te destruir! Então é quente, machuca, mas quando você tira a máscara e você diz ‘Eu acabei de tocar na Arena Wembley hoje’, isso é uma coisa especial, sempre vale a pena.”

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O quão louco pode ficar no palco?

Muito, em diferentes aspectos. Nós gostamos de incrementar o setlist um pouco, nesta próxima turnê em particular nós estamos jogando fora o livro, estamos tocando muitos materiais que não tocamos juntos ainda, algumas músicas o Slipknot nunca tocou antes. E então, uma vez que estamos no palco tocando as músicas, você tem personagens imprevisíveis lá. Um cara tipo o Clown, você não sabe o que ele vai fazer. Eu não sei o que ele vai fazer. Ele pode estar totalmente na vibe de uma música e perder a si mesmo na música assim como todos nós, às vezes ele está pronto para atirar um taco de baseball que vai te acertar! O Chris Fehn vai apenas chegar e roubar um chimbal, e agora eu tenho que descobrir como tocar o refrão sem nenhum crash, e você simplesmente tem que lidar com isso. Nós temos um ditado no Slipknot: você não sai disso. Você apenas tem que lidar com isso! Nós levamos na esportiva e é muito imprevisível. Nada do que a gente faz está certificado. Eu não toco para um click track, eu não uso gatilhos. Não há samples, não há backing tracks. Para uma banda desse tamanho e o que ela faz, é uma banda totalmente julgada e verdadeiramente punk. A atitude é muito do com o que eu cresci, tocando punk rock e hardcore, você apenas dá tudo de si e foda-se todo aquele rock ‘n’ roll pré-empacotado, pré-gravado e encenado, o Slipknot é o rock ‘n’ roll mais não-encenado, e eu acho que temos muito orgulho disso.”

Tocar com dois percussionistas na banda deve ser muito divertido. Como você atinge as partes que envolvem vocês três?

Tem uma coisa que o Clown expressou para mim no começo quando toquei para a banda. O que eu crio com o Slipknot, é minha missão tornar possível para ele se encaixar na música. Tornar possível para o Clown e o Chris, como percussionistas da banda, se encaixarem, pois eles vão dar um jeito. Estas são as palavras do Clown, porque ele estava m ensinando sobre a filosofia do Slipknot com aquela coisa percussiva em mente, que a música tem que existir por ela mesmo e ele e Chris vão dar o jeito deles em qualquer coisa que eu jogar para eles. Uma vez eu disse, ‘hey, se eu faço isso na bateria, vocês conseguem fazer isso no percussivo’, e ele disse, ‘não é o que fazemos aqui. O que você faz é o que você faz, e você não me tem em mente, você não me tem em consideração para chegar nas partes da bateria. Eu vou dar meu jeito, Chris vai dar o jeito dele, e nós todos vamos chegar juntos porque todos nós precisamos confiar em nós mesmos para fazer o que fazemos’.”

Você deve ser capaz de escolher qualquer empresa para endossar, mas você se amarrou com a empresa de bateria customizada SJC?

Eu tenho um punhado de kits diferentes da SJC – os irmãos Ciprari, eu os amo, eles desenvolveram um monte de coisas ótimas para mim. Esses caras me apoiaram muito quando eu não estava fazendo nada, eles me apoiam em qualquer coisa que eu faça. Eu gosto de trabalhar com pessoas que eu respeito e que são meus amigos, isso sempre foi importante para mim, então enquanto eles trabalharem com baterias, eu vou tocar bateria SJC. Eu simplesmente chego com uma ideia louca tipo ‘hey, eu quero um conjunto de tambores que seja todo despojado de qualquer acabamento, mas com o logo do Slipknot pintado com spray neles, e eu quero uma caixa com 50 de espessura com duas aberturas, e nós vamos colocar microfone nas aberturas, porque eu quero que fique estupidamente alto’; e eles ficam tipo ‘entendido’ e me entregam na manhã seguinte. Eu não conheço nenhuma empresa que faria isso. Eu tenho uma ideia para uma caixa e está nas minhas mãos na manhã seguinte. A loucura do SJC vai além disso. Meus conjuntos principais com o Slipknot, eu tenho um kit de bordô e um kit de bubinga. Para essa próxima turnê será usado o kit de bubinga. Eu gosto de ter diferentes madeiras. Mais do que eu amo a bateria que eu toco, assim que eu fico entediado e numa zona de conforto eu gosto de trocar, eu gosto de tocar numa madeira diferente, tocar numa bateria de tamanho diferente, talvez tirar alguns tambores, adicionar coisas, eu simplesmente gosto de mantê-la nova. Então, eu gosto de ter aquela resposta rápida, som afiado, tipo que totalmente te soca na cara e te demoniza e estoura seus tímpanos. É o que eu quero fazer com minha bateria!”

Quanto seu pai, Max, te aconselhou sobre tocar bateria?

O relacionamento que eu tenho com meu pai é incrivelmente especial e que eu não trocaria por nada no mundo. Mas quando eu penso a respeito, na verdade nós não falamos sobre tocar bateria na maior parte do tempo. Ele me deu conselhos inestimáveis dos seus mais de 55 anos de ativa, em termos de manter minha saúde e não prejudicar meu corpo ao tocar – algo que eu faço muito com o Slipknot. Nós estamos mais dispostos a conversar sobre nosso relacionamento com a música em geral, as bandas com as quais tocamos, e as pessoas que nos rodeiam, já que lideramos caminhos criativos similares na vida. O melhor conselho dele foi seu incentivo para mim, para dar o melhor de mim para minha paixão. Para tocar com cada músico que eu puder encontrar, em qualquer estilo musical. Ele e eu somos bateristas muito, muito diferentes, mas eu acredito que ele me passou sua ética de trabalho implacável para mim, e isso é uma das linhas comuns do nosso vínculo único.”

Você teve aulas com ele, ou com qualquer outro professor notável?

Ele simplesmente me disse para trabalhar pra caralho! Sinceramente, essa foi a extensão do meu treino musical. Eu nunca tive aulas na minha vida. No entanto, eu estou constantemente aprendendo com aqueles ao meu redor, e eu sempre faço perguntas aos bateristas com quem eu estou na turnê. Mas eu prefiro que meu jeito de tocar reflita a minha paixão ardente pelo instrumento e pela música que nós criamos, oposto ao jeito estereotipado e estéril de se aproximar da arte. Não há jeito certo ou errado para se aproximar do ofício, e é uma das coisas que eu amo a respeito disso.”

Fonte: Music Radar
Tradução: Natália Freitas e Ana Clara Trematore – Slipknot BR