James Root sobre o Slipknot: “Esta banda é uma anomalia”

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Existe muita pressão quando você é de uma das maiores bandas do mundo, com legiões de seguidores esperando ansiosamente pelo seu próximo lançamento. Mas quando está prestes a embarcar no primeiro ciclo sem dois elementos-chave, esta pressão se multiplica. É o caso do Slipknot.

Apesar das pressões gêmeas de trazer dois novos integrantes numa locomotiva que opera por quase duas décadas e também honrar o amado falecido baixista, o guitarrista James Root lembra de como a produção de .5: The Gray Chapter foi algo catártico e terapêutico.

O Musicfeeds conversou recentemente com Jim pelo telefone durante uma sessão de ensaios do #4 com o novo baixista do Slipknot. Root não falou somente dos bastidores do novo álbum, mas também sobre a empolgação para o vindouro festival Soundwave 2015 e o futuro da banda. Confira a entrevista, publicada por Greg Moskovitch no dia 28 de setembro, traduzida abaixo:

Novo álbum, novas turnês e novos membros. Como está a vida no Slipknot?

A vida no Slipknot está realmente boa no momento. Eu costumava ficar realmente hesitante, relutante e resistente a dizer coisas assim (risos). Na verdade, tudo está bem legal. Mas não quero zicar e também não quero… geralmente algo ruim acontece quando eu sinto que está tudo ótimo. Então direi que está tudo uma droga e tudo é um saco (risos).

O Corey disse que você e o Shawn assumiram a dianteira no processo de composição. Você pode falar sobre isso e nos levar aos bastidores um pouco?

Claro. Estávamos falando sobre gravar um novo disco há um tempo, só não sabíamos quando seria. Quer dizer, para lhe dar uma sinopse bem ampla, nós voltarmos a sair em turnês foi para ver se poderíamos fazê-lo sem o Paul, continuar o processo de recuperação e ver o que poderíamos fazer depois disso, se seria possível produzir um álbum.

Então o tempo passou e estávamos excursionando há certo tempo e chegou ao ponto que sabíamos ser o adequado para um novo disco e nós queríamos isso. Aí seguimos adiante e começamos a pensar a respeito, falar sobre isso e precisávamos esperar as turnês das outras bandas terminar e tudo mais.

Continuamos adiando mais e mais e o pessoal da banda começou a ficar impaciente e cada vez mais frustrados, perguntando ‘O que diabos está acontecendo?’. Quando finalmente fiquei de saco cheio, pensei: “Isto é ridículo. Estamos empurrando isso com a barriga por quase dois anos agora. É hora de voltar a isso e fazer o que nos colocaram na Terra para fazer.”

Conversando com o Clown, nossos empresários e a gravadora, era definitivamente a hora certa. Então, em novembro sentei e comecei a trabalhar. Aí eu terminava arranjos, dava uma acertada e mandava para o Shawn e foi assim que a bola começou a rolar. Foi aí que tudo começou a se desenrolar, mas basicamente em novembro de 2013 eu comecei a gravar demos e chamar o pessoal para a minha garagem.

Teve alguma música em particular ou algum momento durante o processo criativo que pareceu que você ganhou ou pegou força?

Na verdade não. Quer dizer, é bem estranho, eu estava me sentindo muito bem que tudo estava saindo até mesmo na fase de demos preliminares, quando estava só eu sentado na minha garagem. Eu realmente conseguia ouvir e tive uma boa visão para as coisas e tudo fez muito sentido. Então se tudo fez tanto sentido para mim no momento, só poderia melhorar.

Sobre o momento que todo mundo chegou no estúdio e começamos e trabalhar juntos foi quando as coisas realmente começaram a parecer normais, mesmo nas circunstâncias.

Vocês entraram no estúdio querendo escrever um tributo ao Paul ou isso aconteceu naturalmente?

Acho que isso tudo esteve no nosso subconsciente. Não creio que tenhamos planejado fazer assim. Quer dizer, Paul sempre foi parte importante de nossas vidas e da banda, então ele sempre será parte de tudo que nós fizermos. Penso nisso como se todo disco que gravarmos de agora em diante será de alguma forma um tributo a ele.

Qual era o clima neste processo considerando o que este álbum é e com ele também acontecendo durante a saída do Joey e da sua do Stone Sour?

Era definitivamente uma sensação interessante no estúdio. Criou muitas camadas e dinâmicas diferentes. Tinham muitas emoções acontecendo. Teve muita coisa ruim, que realmente é o normal no Slipknot, uma banda muito anormal – então tudo atípico é comum para nós.

Foi muito bom mesmo assim. Creio que foi muito positivo dadas as circunstâncias de tudo que passamos e tudo pelo que nos colocamos, que são duas coisas diferentes. Acredito que isso só nos une mais ainda como banda. No fim, acabamos nos comunicando mais e trabalhando de uma maneira mais próximas. Acho isso tudo positivo e terapêutico de uma maneira disfuncional.

Considerando o fato que o Slipknot já fez grandes discos sob coerção emocional, teve algo que você aprendeu durante processos produtivos anteriores que o ajudou desta vez?

Não. Meu maior medo é que, por todas as montanhas russas emocionais pelas quais passamos e nos colocamos, eu esteja me tornando uma pessoa vaga emocionalmente (risos). Aprendendo a cortar parte de minha psique, minha mente ou meus sentimentos é algo assustador de algumas maneiras. Só espero não me tornar o próximo Dexter Morgan. Afinal, eu moro na Flórida.

Você pode falar sobre a saída do Joey?

Não e só porque eu não conversei com ele e eu realmente não acho justo falar sobre isso sem antes conversar com o Joey. Amo ele até a morte e só estamos passando por alguns problemas. Não conversamos desde outubro do ano passado, então prefiro não me manifestar sobre isso até eu vê-lo e nós conversarmos ou algo assim.

E sobre sua saída do Stone Sour, você disse que talvez tenha acontecido pelo melhor?

Disse isso para amigos e tudo mais, só que eu ainda não conversei com alguns caras da banda ainda, então realmente não sei o que eles estavam pensando ou todos os motivos que os levaram a tomar esta decisão. Quer dizer, foi basicamente avisado por telefone e achei isso bem chato. No entanto, é o que é. Em frente e para cima. Creio que tenho uma opinião diferente de como a música deve ser feita de qualquer maneira. Talvez seja pelo melhor.

Houve algum momento em que você sentiu que um novo álbum do Slipknot pudesse não acontecer?

Há sempre um momento [risos]. Isso é outra coisa sobre essa banda que é quando toda vez que fazemos um álbum, eu sinto como se fosse ser o último, você sabe o que quero dizer? São tantos caras nesta banda, tantas mentalidades diferentes. É difícil manter esse grupo de pessoas.

Você sentiu como se houvesse muito mais pressão sobre vocês desta vez, como se tivesse que ser o White Album (The Beattles, 1968) ou o Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band (The Beattles, 1967)  do Slipknot?

Eu nunca senti qualquer pressão em todo o tempo que trabalhamos nisso. Por alguma razão, para mim, tudo parecia muito natural e muito calmo. Tirando as emoções que eu estava sentindo e passando, o próprio processo de composição foi muito terapêutico.

Eu sinto a pressão quando estamos prontos e já saímos do estúdio, quando está para ser lançado e sair das nossas mãos. É quando, de repente, tenho a sensação gritante de: “Oh, droga! Estamos prontos. Não tenho mais nada pra fazer. Aí está ele, mundo.” É quando eu começo a me assustar um pouco.

Como você sente que os novos membros se aclimataram ao processo de gravação do Slipknot?

Eu acho que eles estiveram muito bem, considerando as circunstâncias que foram lançadas contra eles. Nós jogamos a cartilha no baterista, colocamos ele no ringue. Ele não teve vida fácil. Mas ele estava pronto para o desafio com tudo o que joguei em cima dele. Ele aceitou tudo e pontos para ele por isso.

O baixista foi uma situação diferente, porque foi meio que uma porta giratória de caras entrando e saindo e tentando coisas. Até o Donnie veio para o estúdio por um tempo e chegou a um ponto onde estávamos lutando procurando por alguém, até que o cara certo se apresentou no último minuto. Funcionou muito bem.

Você esteve impressionado com a forma como os fãs imediatamente começaram a analisar o vídeo de “The Devil In I” para encontrar pistas sobre os novos membros? Eles meio que agiram como se fosse um filme de [Abraham] Zapruder.

[risos] Eu meio que tento ficar longe de ver o que os fãs… Eu não lido bem com qualquer tipo de crítica, não porque eu tenha um ego enorme ou qualquer coisa assim. Mas este é o álbum mais pessoal que eu já fiz, é provavelmente o disco que fiz onde eu estava mais profundamente envolvido e isso meio que me esmaga um pouco quando alguém não entende o que queremos dizer ou ficam comparando com outra coisa.

É algo que me faz jogar as mãos pra cima, então eu não dou muita atenção a todo esse tipo de coisa. Eu gosto de manter meu mundo positivo. Já tem bastante negatividade rondando.

Vocês têm o Knotfest no início no próximo mês. Vocês já começaram os ensaios?

Sim, na verdade, eu estou ensaiando na minha casa com o nosso novo baixista agora. Ele voou para cá e nós estamos apenas passando e refrescando algumas coisas e aprendendo algumas das músicas antigas que ele nunca tocou antes e depois de amanhã o baterista vai estar aqui e eu tenho um conjunto pequeno de bateria montado na minha casa e vamos ter um pouco de ensaio em trio aqui até estarmos com o resto dos caras da banda, em outubro.

Você sabe quais serão os setlists dos shows? Será uma divisão de novas músicas e favoritos dos fãs?

Sim, vai ser… Quero dizer, eu não sei como o set principal será, porque nós realmente não discutimos isso ainda, mas para o Knotfest estamos fazendo duas noites, por isso tem quase dois sets completamente diferentes, um para cada noite. Quero dizer, duas músicas que se repetem a cada noite, mas para a maior parte, serão sets drasticamente diferentes.

Eu acho que nós vamos tocar quatro das novas músicas. No momento em que fizermos o Knotfest, o álbum já terá sido lançado e por isso espero que as pessoas estejam um pouco mais familiarizadas com as canções no novo álbum.

Isso nos leva ao Soundwave. Se não me engano, tivemos o anúncio oficial para o álbum e a participação no Soundwave quase que ao mesmo tempo. Vocês queriam voltar para a Austrália como parte dessa turnê?

Com certeza, a gente sempre quer voltar, ou pelo menos eu sempre quero voltar para a Austrália. Um dos meus lugares favoritos no planeta para visitar. E turnês como o Soundwave são experiências que permitem tocar na maioria das cidades grandes da Austrália, e também ter uma folga de dois dias nelas também… Quando você está em turnê, você não tem a chance de realmente absorver os lugares que você está.

Mas da maneira que a turnê foi realizada eu pude fazer mergulhos no oceano Índico e pegar uma balsa através do porto de Sydney, ou outro lugar, e sair para uma ilha e jantar. Quero dizer, há tanta coisa que você pode fazer quando você tem essa quantidade de tempo e é realmente incrível. E isso me deixou muito apaixonado com a Austrália.

Foi uma decisão da banda tocar somente no festival? Os fãs australianos podem esperar um retorno para uma turnê em algum momento?

Eu definitivamente quero voltar lá para uma turnê, porque eu já ouvi, e eu não tenho certeza se isso é verdade, mas ouvi dizer que Perth não está mais no caminho do Soundwave.

É verdade, sim.

Sim, o que eu acho que é uma chatice, porque eu realmente gosto muito de Perth. Obviamente, temos uns dois anos, pelo menos, de turnê pela frente, então eu tenho certeza que os poderosos estão colocando suas cabeças juntas para descobrir como podemos fazer de forma rentável para ir até a Austrália e fazer uma turnê própria adequada no país e de forma que não estejamos apenas gastando dinheiro para estar lá.

Cara, eu adoraria fazer isso. Quero dizer, não temos sido capazes de fazer uma turnê por lá faz tempo. Provavelmente, droga, desde o ciclo do primeiro álbum, sabe? Assim, todas as outras vezes que estivemos lá, foram sempre festivais. Eu gostaria de fazer as duas coisas, o que seria o ideal.

A maneira que vocês têm utilizado a internet nos últimos meses tem sido nada menos do que impressionante. Você sente que isso poderia se tornar um modelo para outras bandas para promover seus álbuns ou realmente só funciona com o Slipknot porque vocês são uma entidade tão singular?

Essa é uma pergunta difícil, cara, porque a internet é realmente como o Velho Oeste. É muito difícil avaliar o que vai acontecer e você nunca sabe que tipo de coisa consegue se tornar viral ou o que vai pegar ou o qual a onda do momento será.

Para nós, simplesmente queríamos tudo escuro porque estamos em uma época hoje onde você pode entrar em suas redes sociais e ver o que o seu rockstar favorito está comendo no café da manhã ou se eles estão deixando seus filhos na escola ou o que estão twittando sobre eventos atuais. E isso simplesmente parece que jogou muito do mistério, que é uma grande parte do que torna o que fazemos especial, para longe.

Faz com que todos nós sejamos meros mortais novamente, o que é legal. É bom estar em sintonia com o que fazem as pessoas que você admira, mas ao mesmo tempo eu acho que há algo a ser dito sobre ter um pouco de anonimato e não saber o que está acontecendo e isso pode funcionar para outras bandas, eu não sei.

Para nós, foi muito bom por nos permitir desaparecer por um tempo. E isso fazia sentido com tudo que estava acontecendo e foi uma forma de nos desligarmos e nos ajustarmos.

Quão democráticas foram as decisões sobre a campanha promocional? Tudo tem sido liderada por Shawn e outros dois membros ou é resultado de consenso do grupo?

É principalmente o Shawn quem faz um monte dessas coisas. Eu meio que fico me concentrando em escrever músicas e trabalhando no estúdio e ficando nesse lado das coisas. Shawn realmente mergulha profundamente na arte, nas fotografias para o álbum, no layout da arte, no design da arte, dirigindo vídeos, coisas assim. Tenho certeza que ele provavelmente está trabalhando muito perto, lado a lado, com o pessoal da Internet e eu tenho certeza que nada acontece sem ele mesmo postar ou dizer: “Sim, vamos fazer isso.”

E isso não quer dizer que ele não é uma força criativa quando se trata de escrever músicas, ele escreve um monte das coisas a la Blur no álbum 13 que vão para as nossas gravações e isso é uma das minhas partes favoritas do que fazemos.

Como está o futuro do Slipknot olhando para o momento? Vocês estão pensando anos à frente ou apenas se concentrando em fazer o álbum e esta turnê?

Eu realmente não sei, porque como eu disse, agora estamos de volta a ter nove caras na banda e o que as pessoas dizem e o que elas fazem são duas coisas diferentes. Para mim, pessoalmente, eu estou olhando para o futuro da banda e isso é parte da razão pela qual eu estou onde estou. É por causa dessa banda. Bem, toda a razão de eu estar onde estou agora é por causa dessa banda e acho que para o legado de Paul e por todo o tempo que passamos juntos, seria uma vergonha jogar tudo fora.

Mas tendo dito isso, esta banda é uma anomalia e nunca se sabe o que vai acontecer e por isso tendemos a simplesmente pegar as coisas do dia a dia, mas tudo está indo muito bem agora e estamos nos dando muito bem, todos estão se falando, e estamos nos comunicando. E eu acho que só vai melhorar à medida que pegarmos a estrada. Nós não fizemos uma turnê adequada desde o All Hope Is Gone. Então, isso definitivamente vai ser algo que vai nos dizer muito sobre o nosso futuro, o ciclo deste álbum.

Corey descreveu o novo álbum como algo tipo: “Vol. 3 encontra IOWA”. Você concorda com esse resumo?

Eu não sei se eu concordo com isso, porque eu não gosto de comparar tudo o que fazemos com qualquer coisa que já fizemos ou necessariamente a qualquer outra coisa. Eu acho que cria uma expectativa, você sabe o que quero dizer? E eu não gosto de colocar essas expectativas assim.

Eu sei que quando eu era mais jovem, a bandas diziam: “Oh, vamos voltar com um novo álbum e que vai ser como o nosso segundo álbum”, e eu ouvia o disco e não era nada parecido com o seu segundo álbum e eu ficava um pouco desapontado e pensava: “Bem, se eles nunca tivessem dito nada, eu nunca teria essa expectativa.”

Então eu não sei o que eu compararia a este álbum, gostaria apenas de dizer que é uma evolução e é uma espécie de testamento para onde estamos agora.

O novo álbum do Slipknot, .5: The Gray Chapter, será lançado mundialmente no dia 21 de outubro. A banda tem em também em outubro a 2ª edição de seu festival, o Knotfest, e depois sai em turnê pelos Estados Unidos com a Prepare For Hell Tour, acompanhados do Korn e do King 810. Em novembro, é a vez de liderar o Knotfest Japan, em Tóquio. E será a atração principal do Soundwave Festival em 2015.

Fonte: Musicfeeds