Corey fala sobre como a morte de Paul uniu mais a banda; e o que esperar da nova turnê

October 18, 2014 in .5: The Gray Chapter, AOV, Banda, Corey Taylor, Custer, Goodbye, Iowa, Joey Jordison, Knotfest 2014, Paul Gray, Prepare For Hell Tour, Sarcastrophe, Shawn Crahan, Skeptic, Slipknot, The Devil In I, The Negative One by Slipknot Brasil

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Antes do lançamento de seu novo álbum, .5: The Gray Chapter, o vocalista do Slipknot, Corey Taylor, fala com Jonty Simmons sobre como lidar com a morte de Paul Gray, os novos membros da banda e o que esperar dos nove quando retornar à Austrália para o Soundwave 2015.

Cada membro do Slipknot foi forçado a enfrentar sua própria mortalidade quando o amigo e baixista Paul Gray faleceu tragicamente em 2010. Na sequência da sua morte, a banda se fechou, e nenhum material gravado surgiu por mais de seis anos. Após um forte luto, eles se encontraram em uma encruzilhada: gravar ou parar. Para uma banda que tinha sobrevivido desde 1999 com todos os seus membros originais intactos, foi uma decisão extremamente difícil. Embora este período de introspecção tenha levado à remoção do baterista de longa data Joey Jordison (em circunstâncias nada amigáveis??), também definiu o caminho certo da banda para fazer o álbum de número cinco, .5: The Gray Chapter.

O frontman Corey Taylor falou com a FasterLouder sobre o novo álbum – que trata da morte e da mortalidade. Ao longo de 20 minutos, Taylor falou abertamente, em seu peculiar sotaque de Iowa, sobre a raiva e a tristeza que sentiu após o falecimento de Gray; como a banda se uniu com isso; a identidade dos seus misteriosos novos membros; e o que esperar quando a banda finalmente voltar para Soundwave 2015.

Vocês já “iniciaram” os novos membros no clã Slipknot?

Bem, você viu o vídeo de “The Devil In I” – onde os esfaqueamos pra caramba.

Vocês deixaram intencionalmente pistas no vídeo sobre quem são os novos membros – como mostrar a tatuagem da mão do seu baixista?

Não, não realmente. Nós não confirmamos nada ainda, estamos à espera, porque isso é o que fazemos: nós mantemos todos em suspense até o último segundo.

Obviamente você não pode confirmar nada, mas você ficou um pouco irritado quando viu que as pessoas estavam sacando [a identidade do novo baixista]?

Ah, não, eu ri pra caramba, foi muito engraçado. Nós nem sequer pensamos nisso. Era como: “Cristo, devíamos ter colocado luvas nele.” [Risos] Nós tínhamos tudo bem guardado e depois: “Filho da mãe!” [Risos].

Vocês tinham absolutamente tudo planejado: uma máscara que cobre completamente o rosto.

Cada base foi coberta e ainda assim, nem tudo, realmente. [Risos]

Qual foi o simbolismo por trás dos atos suicidas por cada um dos membros da banda no vídeo?

Para nós, era sobre a morte do passado. Mais importante ainda, matando o que tinha vindo antes para que pudéssemos começar de novo. Obviamente, metaforicamente falando. Estamos muito orgulhosos do que fizemos durante os primeiros 15 anos de nossa carreira e agora é como se fosse a fase dois ou capítulo dois, sabe? Seguindo em frente, nós queríamos ter certeza de que todos na banda sentissem que era um recomeço honesto e que era importante para nós mostrar a evolução e no que estávamos trabalhando.

Isso foi uma forma de incluir os novos membros, uma vez que vocês os mataram ao mesmo tempo em que matavam a si mesmos?

Eu acho que foi uma maneira de unir. Todos nós nos divertimos muito fazendo esse vídeo e não só nós como banda, mas os fãs que colocamos lá. O inferno que os fizemos passar, vestindo-os como versões do Clown para os maggots. Confie em mim, cara! Estava muito quente naquelas roupas. Estava fervendo na minha máscara e eu só posso imaginar o que eles estavam sentindo. Mas foi uma boa maneira para que nós todos ficássemos mais próximos e ter essa experiência muito legal de partida antes de qualquer outra coisa.

As pessoas no vídeo tiveram a oportunidade de conhecer os novos membros sem estarem com as máscaras? Ou vocês mantiveram em segredo deles também?

Eles todos falaram e se misturaram, mas os ameaçamos de forma violenta se dissessem alguma coisa. Como uma boa banda faz a sua base de fãs: os ameaça com violência. [Risos]

Você disse antes que era um novo capítulo, o título do álbum é .5 The Gray Chapter – qual foi a decisão atrás de nomeá-lo com um decimal em vez de quinto álbum diretamente?

De certa forma, para nós é a mesma intensidade, mas é a próxima fase. É quase como um ramo – é o mesmo caminho, mas nós estamos indo para baixo de uma veia diferente desse caminho. Nós não queríamos dar-lhe um número inteiro, por isso, colocamos um ponto decimal. Especialmente com o que acontece com este álbum – é tão profundamente sobre os últimos quatro anos e o que a banda já passou; começando com o dia em que perdemos Paul. Queríamos que soasse como uma extensão, não um salto enorme, porque musicalmente falando, é muito enraizado com o que nós tentamos fazer com a nossa carreira. No entanto, há esse elemento de singularidade e vibração inesperada que tentamos colocar em cada álbum. Do tipo que as pessoas ficam: “Uau! Isso foi muito legal, mas o que diabos foi isso?” Essa é uma das razões de de termos colocado um ponto decimal na frente dos cinco.

Há momentos através do álbum em que o som para e depois volta de repente, como em “AOV”? Você estava tentando chocar e assustar o ouvinte fazendo isso?

Foi mais uma parte do processo criativo. Com a gente, nós sempre tentamos fazer tudo com muita naturalidade. Tentamos explorar tantos caminhos musicais diferentes e maneiras diferentes de fazer algo de som mais “Slipknot”. Nós não gostamos de seguir convenções, e não gostamos de fazer nada que possa ser considerado artificial. Então, para nós, intencionalmente levamos e alimentamos através do triturador Slipknot para ver o que acontece. Nós montamos novamente e a sensação é diferente, viva e louca.

Você disse que você colocou o seu novo baterista na linha de fogo e em faixas como “Sarcastrophe” e “Custer” você tem padrões de bateria alucinantes – foi difícil para ele no início?

Nem um pouco, cara! Ele aguentou o tranco. Ele é nosso fã desde que era um garoto, vamos colocar dessa maneira. Quando precisávamos dele para, não apenas ser ele mesmo, mas para personificar o caos do Slipknot, ele fez isso. Toda ideia que colocamos em cima dele, ele tinha uma ótima resposta ou tinha algo melhor. Foi muito divertido vê-lo fazer isso, e ver como ele estava excitado com isso. Acho que o melhor elogio que alguém fez foi… Havia um monte de fãs que estavam convencidos de que era o Joey tocando bateria, e isso é uma prova de quão bom é esse cara.

Você repete as letras “hate me”, “fuck me” e “kill me” através do álbum – isso é você se odiando por odiar a partida do Paul? Eu sei que você mencionou isso algumas vezes.

Não é odiar isso – há uma raiva obviamente. Você perde alguém que você ama muito, e um efeito colateral infeliz de perder essa pessoa é que você começa realmente a ficar com raiva dela. Quer gostemos ou não, isso é uma parte do processo de luto. E então você se sente culpado por ser culpado. Há um arco-íris de emoções que vêm com o processo de luto que você permitir-se sentir ou então a sua personalidade torna-se completamente desviada, se isso faz algum sentido? Logo, nas letras há muita reflexão sobre as emoções loucas que eu estava passando.

Na época, a gente não estava se falando – não percebemos que estávamos todos sentindo a mesma coisa. Eis que, quando estávamos no estúdio fazendo o álbum, nós começamos a falar uns com os outros e começamos a perceber que nós todos sentíamos a mesma coisa: esta depressão maluca. Porque não só aconteceu que perdemos um dos nossos melhores amigos – nós sentíamos muito a falta dele e seu espírito e a gente o amava – mas estávamos com raiva dele. Nunca foi sobre o ódio, nunca odiamos Paul por perdê-lo, ficamos com raiva porque nós o amávamos tanto. Acho que é por isso que aparece tanto nas letras, como uma auto-aversão. Você vai enlouquecendo com perguntas como: “O que eu poderia ter feito?”, “Eu poderia ter sido um amigo melhor?”, “Liguei pra ele o suficiente, ou alcancei ele o suficiente?” É um dos problemas em ser deixado para atrás, vamos colocar dessa maneira.

Em “Goodbye”, você diz “No one can save us this time” (ninguém pode nos salvar desta vez) – quando você e a banda estavam sentados em sua casa pela primeira vez, reunidos pela morte de Paul, foi quando, de repente, você percebeu que não eram invencíveis ?

Eu não acho que foi a sensação imediata. Eu acho que todos nós estávamos apenas muito dormentes e destruídos tentando entender o que estávamos passando. Nós estávamos sentados na sala do porão da minha casa e apenas olhando um para o outro, mas olhando através de outro. Cada um de nós tentou obter uma compreensão sobre esse momento, e ninguém realmente sabia como. Chega um momento em que você percebe que você está sentado em uma sala cheia de pessoas que estão passando por algo tão poderoso e ninguém fora desse grupo vai entender o que você está sentindo. Foi só mais tarde que causou um tipo de reflexão sobre a vulnerabilidade dessa banda. Mas a coisa boa que saiu disso, se alguma coisa pode ser dito, é que nos ensinou a todos, inclusive eu, que não devemos nos subestimar. Porque eu sei que fiz isso. Eu subestimei muita gente na banda por um longo tempo e eu não deveria ter feito isso. Isso realmente faz você colocar as coisas em perspectiva e muda a forma como você aprecia o que já tem. O jeito que eu sou com todos na banda é completamente diferente agora, eu tento me certificar de que chego neles de alguma forma. Tento ligar para alguém na banda, pelo menos uma vez por dia. Eu só quero saber como eles estão e espero que eles estejam pensando em mim tanto quanto eu estou pensando neles.

Acho que é uma coisa boa sobre o legado de Paul, ele fez você se importa mais de uma forma.

É, exatamente. Eu penso em um monte de coisas quando se está lidando com pessoas tão loucas… Não somos amigões, vamos colocar dessa maneira. Alguns de nós somos, mas somos tão diferentes. Você não poderia escolher nove pessoas tão diferentes para estar em uma banda. Isso é apenas eu sendo tão honesto quanto posso. E alguns de nós naturalmente suportam uns aos outros e alguns de nós… A única vez que nos vemos é quando estamos na estrada. No entanto, à luz do que nós todos passamos, um monte do ego e do egoísmo foi embora, um monte da resistência em nos abraçarmos foi embora. E eu acho que isso vale alguma coisa, tem que ser algo que todos nós apreciamos a nossa própria maneira.

Só para passar para a arte da capa do álbum, que causou alguma controvérsia entre os fãs – você pode explicar o simbolismo de ter uma mulher em um traje de esqueleto?

O álbum se chama The Gray Chpater (O Capítulo Cinza), e neste caso é muito mais sobre a cor cinza e o fato de que o conceito de cor cinza é uma ilusão visual. É o seu cérebro levando a combinar entre si a cor preta e a cor branca: É assim que você vê a cor cinza. Clown tinha vindo com essas fotos incríveis e com o visual, aquela imagem é tão impressionante e tão sugestiva que fazia todo que fosse a arte da capa. A controvérsia é algo que estamos acostumados, e é o tipo mais idiota de controvérsia, porque a nossa base de fãs são tão loucos que eles vão estudar as nossas coisas como se fosse um filme de Zapruder. Eles vão entrar lá com um pente fino e tentar encontrar significados onde talvez não haja nenhum significado. Acho que isso é um atestado para o nível de insanidade que colocamos nos nossos fãs, mas também atesta que alguns de nossos fãs têm ido além do reino da inteligência e partem para uma louca e paranoica ilusão em parte do tempo. Por mais que odiamos incentivar esse tipo de psicose, eu também acho que é muito engraçado. Nós escolhemos porque era uma imagem muito impressionante, e nenhuma pessoa neste planeta que pode dizer que não é impressionante e não é sugestivo e não é poderoso. E por quê não? Não há nada de errado com o corpo feminino, e se as pessoas pensam que isso não é Slipknot, então eles não sabem nada sobre esta banda.

O show foi insano na última vez que vocês estiveram aqui para o Soundwave. Podemos esperar mais do mesmo ou ainda mais pirotecnia?

Nós estamos elevando as coisas mais na parte visual. Vai haver fogo, algumas chamas, algumas loucuras. No entanto, estamos refazendo completamente a estrutura do palco e vai ser um pouco mais elaborado. Estamos tentando mudar isso, porque se você não agitar as coisas, você vai estagnar. Entre o novo palco e o novo setlist, as pessoas devem ficar muito, muito animadas para o retorno do Slipknot. Vai ser um show matador.

Vocês estarão tocando músicas de toda sua discografia?

Sim, na maioria das vezes. O legal é, para o Knotfest, que temos duas noites diferentes, estamos fazendo dois sets diferentes para cada noite. Entre esses dois sets, e ao longo dos próximos meses, vamos tentar mudar o palco e o setlist toda noite. Então, se você vem para uma noite, e você vai para outra noite, você não vê o mesmo set a cada noite. Nós estamos realmente tentando algo diferente para fazer com que as pessoas simplesmente não saibam o que vamos tocar. Obviamente, há músicas que precisam ser tocadas e que vamos fazer isso todas as noites, mas há algumas músicas que não tocamos desde a turnê do IOWA, que estamos tirando a poeira e trazendo de volta. Há um monte de coisas diferentes do novo álbum que vamos tocar, por isso vai ser uma grande representação de carreira desta banda e será algo muito bom.

Vai haver fãs que irão ler isso e vão à loucura, tentando descobrir quais músicas vão ser tocadas.

Exatamente! Eles vão procurar online por fotos e eles vão estar como: “Está vendo? Bem aqui é uma metáfora para essa música e eles estão tocando esta versão dela!” E será como: “Sério? Vocês são incrivelmente loucos.”

Eles são quase tão perspicazes quanto professores.

Certo?! Há camadas e, em seguida, estão tendo muito tempo livre em suas mãos, você sabe? [Risos]

Quais as faixas vocês estarão tocando do novo álbum? Estou supondo “Skeptic”, obviamente, porque é uma homenagem a Paul – mas já tem outras no momento?

“Skeptic” definitivamente. Obviamente que vamos tocar “The Negative One” e “The Devil In I”. “Sarcastrophe” definitivamente, e provavelmente “Custer”, só porque parece que ela tem uma grande vibe com o público – como os cânticos e o refrão. Ela vai soar enorme com 50 mil pessoas cantando essa loucura. Há várias músicas muito boas que estamos ansiosos para tocar também, cara.

.5: The Gray Chapter tem lançamento mundial para o dia 21 de outubro. Os novos integrantes da banda poderão ser vistos ao vivo na segunda edição do Knotfest, a partir do dia 25 de outubro, data de retorno aos palcos dos mascarados de Iowa em seu festival, que acontece esse ano em São Bernardino, na Califórnia. Após, o Slipknot começa a turnê do The Gray Chapter com a Prepare For Hell Tour, acompanhados do Korn e do King810. Em novembro acontece a edição japonesa do Knotfest, nos dias 15 e 16, em Tóquio. Após, a banda termina o ano completando a turnê norte-americana do novo álbum. O início de  2015 marca o retorno da banda para a Europa com a Prepare For Hell Tour, onde o Slipknot será acompanhado novamente pelo Korn. Enquanto que em fevereiro será a Austrália que presenciará o show caótico da banda no Soundwave Festival.

Fonte: Fasterlouder