Corey Taylor fala com a Revolver sobre o novo álbum, Joey Jordison e os novos membros da banda.

September 29, 2014 in .5: The Gray Chapter, All Hope is Gone, Banda, Iowa, James Root, Joey Jordison, Novo Álbum 2014, Vol. 3: (The Subliminal Verses) by Slipknot Brasil

10411259_740459722687485_3166411917078046544_n

Em entrevista para a revista Revolver do mês de outubro, Corey Taylor falou um pouco mais sobre o novo álbum do Slipknot, o aguardado .5: The Gray Chapter, a saída de Joey Jordison e o que esperar dos fãs em relação aos novos baixista e baterista da banda.

Revolver: A primeira vez que o Slipknot foi destaque na capa da Revolver foi em 2001, quando foi lançado o IOWA. É estranho pensar em como seus fãs jovens daquela época estão em seus 30 anos agora?

Corey Taylor: Sim, é estranho. Nós estamos olhando para uma nova geração de fãs. E a coisa louca é que, com tudo o que aconteceu entre o All Hope Is Gone e ??agora, faz seis anos desde que lançamos novas músicas. Portanto, há quase como um novo grupo de pessoas que vieram sem qualquer material novo do Slipknot. Tudo que ouviram foi a lenda, tudo que eles sabem é devido ao material antigo. É quase como se estivéssemos voltando ao básico e saindo da garagem. E é legal! Uma das razões pela qual estamos tão animados com o álbum é que, para nós, ele soa de várias maneiras como um recomeço, para melhor ou pior. E eu acho que nós estamos fazendo isso da maneira certa.

Bem, fazer um disco sem Paul e Joey é como começar de novo, não é? Esses caras fizeram uma grande contribuição para a música do Slipknot.

Sim. Sabíamos que ia ser difícil, e essa é uma das razões pelas quais nós levamos nosso tempo pra fazer isso. Obviamente, sem Paul, e a divisão com Joey, tornou-se um pouco mais difícil. Mas com essa banda, nunca foi uma questão de: “Nós não podemos fazer isso”. Sempre foi uma questão de: “Como podemos fazer isso? Como vamos fazer isso?” Então, quando algo como isso aconteceu, nós meio que preenchemos as lacunas em nós mesmos. Temos a certeza de que tudo o que fizemos teve sentido, e que nós estávamos fazendo isso pelas razões certas. E fomos para a música com o ponto de vista de que se você quiser fazer isso, você tem que encontrar uma maneira de fazê-lo. A única coisa que nós percebemos de imediato foi: “Não vai ser a mesma coisa, então não vamos tentar torná-la a mesma coisa. Vamos fazer de acordo com o que nosso coração sente” E uma vez que percebemos isso, cara, a música veio muito rapidamente. Num espaço de dois meses, tivemos o modelo básico do que o álbum seria, e tudo o que restava era elaborar os detalhes, que é sempre a melhor parte, de qualquer maneira. Então, sim, foi uma experiência muito boa, cara.

A minha primeira impressão do álbum é que ele mistura o ataque de IOWA com as atmosferas assustadoras de All Hope Is Gone. Você foi intencionalmente nessa direção a partir do ponto inicial?

Foi uma daquelas coisas em que não queria tomar a decisão [sobre a direção musical] até que ouvíssemos como a música ia soar. E uma vez que ouvi o que ela estava se tornando, eu pensei que tinha a ferocidade de IOWA, mas, para mim, tem o lado melódico e esotérico do Vol. 3: (The Subliminal Verses), que era muito mais artístico. A pegada ainda estava lá, mas nós estávamos começando a nos espalhar artisticamente um pouco mais. Então, eu acho que com isso, pegamos essa escuridão e criatividade e fizemos algo que é como um grande amálgama desses dois álbuns. Nós tínhamos muita emoção, tínhamos muito a dizer, e sabíamos que não queríamos simplesmente entrar e fazer um álbum completamente furioso.

Jim e o Stone Sour seguem em caminhos separados e isso aconteceu, de forma não muito amigável, ?um pouco antes dos trabalhos com o álbum começarem. Essa situação afetou sua capacidade de trabalhar em conjunto no Slipknot?

Foi difícil, em primeiro lugar. Formou uma tensão entre ele e eu por um pequeno momento. Foi uma daquelas coisas em que as horas eram sofridas. Mas, ao mesmo tempo, sabíamos que, em ambos os lados, tínhamos que fazer o que fizemos. E, junto disso, havia esse projeto incrível que nós estávamos trabalhando [com Slipknot], então fomos capazes de canalizar essa tensão e colocá-la sobre o que estávamos fazendo, e acho que em uma série de maneiras ajudou a agressividade total e a emoção a realmente chegarem lá. Porque este álbum morde. Os riffs desse álbum realmente são fundos e mordem, e eu acho que um monte do que rolou [a situação com o Stone Sour] alimentou a escrita de Jim. Para não ficar muito nesse lado das coisas, mas, obviamente, não era a maneira que queríamos que a notícia saísse… Por respeito ao Jim, eu tenho que dizer que nós falamos sobre isso, e  enterramos o assunto. Mas, em muitos aspectos, é o que é. Ao planejar coisas, há sempre uma chance de que seus planos vão ser arruinados. Eu venho dizendo desde o primeiro dia que a melhor maneira de fazer Deus rir é anunciar seus planos em voz alta. Porque é verdade, e nem sequer digo isso a partir de um ponto de vista religioso. Se você acha que as coisas estão indo por um caminho, é porque estão indo para outro. Lidamos com isso, e nós fizemos o melhor que podíamos com a situação.

Bem, certamente não é a primeira vez que uma gravação do Slipknot foi obtida em meio a tensões pessoais e problemas.

Yeah! Mas sabe de uma coisa? Eu posso dizer isso com absoluta honestidade: eu me diverti muito mais fazendo este álbum do que foi com o All Hope Is Gone. Foi mais fácil. Havia tanta tensão durante o All Hope Is Gone, por vários motivos. Foi uma luta para fazê-lo. Este pareceu muito mais como um esforço coletiv0. Eu acho que todos nós percebemos o quão importante era. Nós sabíamos que queríamos fazer algo especial. Sabíamos que tínhamos enormes espaços para preencher. Todos nós percebemos que tínhamos guardado muita coisa ruim. E quando você percebe isso, você começa a olhar para as pessoas de forma diferente, você começa a tratar as pessoas de forma diferente. E eu acho que por causa disso, fomos capazes de nos unir como uma banda e como um time novo, e realmente fazer algo legal, não apenas para nós, mas para os nossos fãs, porque os fãs têm esperado por isso há um longo tempo. E mesmo que eu esteja feliz por termos demorado tanto tempo, eu acho que foi exatamente o que precisava ser feito.

Será que essa perspectiva vem da morte de Paul?

Bem, sim. Isso nos atingiu como uma tonelada de tijolos, sabe? Foram provavelmente alguns dos dias mais difíceis que já tive, se não foram os dias mais difíceis. Muita coisa mudou nesse tempo para nós. Algumas pessoas foram para um lado, outros foram para outro, na medida em que vivem, suas abordagens com a vida, e tudo mais. Nós meio que nos olhamos e dissemos: “Nenhum de nós está ficando mais jovem. Nós somos as únicas pessoas que sabem da nossa história, que sabem o que fizemos juntos” E, de várias maneiras, parecia que estávamos abusando um do outro. Então, uma das coisas positivas que saíram disso, se você pode encontrar uma coisa positiva, é que nos fez perceber que nós éramos tudo o que nós tínhamos, e nós precisávamos ficar mais juntos. E eu acho que conseguimos.

Você pode comentar algo sobre o porquê da banda se separar de Joey?

Realmente não. A única coisa que posso dizer é que, na vida, você vai ter casos em que o caminho que você está no leva a uma seção em forma de T, e você ou vai para um lado ou vai para outro. Às vezes uma pessoa vai para um lado e você vai para o outro lado, e por mais que você possa tentar seguir na mesma direção, nem sempre dá certo. Foi difícil, mas fizemos o que sentimos que tínhamos que fazer. E isso é tudo que posso dizer.

Devido a questões legais que cercam a separação?

Por causa de tudo, desde questões jurídicas até ser respeitoso com ele, e todos os outros.

Depois que Paul faleceu, nunca houve um ponto em que você pensou: “É isso aí, o Slipknot já era, nós nunca iremos fazer outro disco”?

Hmm, isso ficou definitivamente na minha mente. Havia um ponto onde eu estava como: “O que vamos fazer agora? O que isso significa?” E houve alguns dias negros nesse ponto, apenas tentando descobrir o que diabos estava acontecendo. Mas não acho que alguma vez houve um momento em que todos nós sentimos como: “É isso!” De todas as coisas, nos fez sentir como: “O que vamos fazer agora?” E eu acho que sair no Sonisphere nos ajudou. Esses primeiros shows no Sonisphere nos mostraram que era tão importante para nós continuar, como era também para os fãs, por qualquer motivo. Todos tem uma razão diferente para estar aqui, para estar nesta banda e para continuar com ela. Eu acho que uma vez que fizemos isso, percebemos: “Ainda temos as nossas pernas conosco, ainda adoramos fazer isso, e ainda queremos fazer isso.” Depois disso, fico como: “Vamos dar um pouco de tempo e deixar que o tempo nos permita voltar e fazer com que um álbum venha a nós naturalmente.”

Como você acha que os fãs do Slipknot receberão os novos baterista e baixista?

Eu não sei, para ser honesto. Tudo que podemos fazer é o que fazemos. Você começar a ir por esse caminho é apenas outra maneira de deixar você louco. Tentando antecipar o que um milhão de pessoas vão dizer, especialmente nos dias de hoje em que todo mundo tem uma opinião, e você realmente não precisa saber qual é essa opinião. [Risos] É a maldição e a bênção da maldita Internet. É o que é. Tudo o que podemos fazer é tomar a mesma abordagem que nós sempre tomamos que é a de apenas fazermos o que achamos certo – e nisso, ou os fãs estão conosco, ou não estão. É a gente seguindo em frente, entendeu? Você gasta muito tempo nas sombras, e você esquece qual é a sensação do calor. Você esquece qual é a sensação da luz real do Sol e da alegria. Somo nós saindo das sombras e voltando para o nosso caminho.

Screen-Shot-2014-09-12-at-2.33.11-PM1

Fonte: Slipknot-Metal